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Multipropriedade

Multipropriedade é o regime jurídico, regulado pela Lei nº 13.777/2018, em que vários donos compartilham o mesmo imóvel, cada um com o direito de usá-lo por períodos fixos do ano (frações de tempo) e com matrícula própria no cartório.

A multipropriedade é o regime jurídico em que várias pessoas são donas do mesmo imóvel ao mesmo tempo, cada uma com o direito de usá-lo durante períodos determinados do ano. Em vez de comprar um apartamento inteiro, você compra uma fatia do tempo de uso — uma ou mais semanas, por exemplo — e divide a propriedade com os demais coproprietários. O modelo é comum em resorts, flats e imóveis de temporada, e foi regulamentado no Brasil pela Lei nº 13.777/2018, que o incorporou ao Código Civil.

O grande diferencial trazido pela lei é que cada fração de tempo tem matrícula própria no cartório de registro de imóveis. Ou seja, o multiproprietário não tem apenas um direito de uso contratual: ele é dono de verdade, com um bem registrado em seu nome, que pode ser vendido, alugado, herdado ou dado em garantia.

O que é multipropriedade?

Multipropriedade é o regime de propriedade compartilhada em que um mesmo imóvel pertence a vários donos simultaneamente, cada um titular de uma fração de tempo que lhe garante o uso exclusivo do bem por períodos fixos a cada ano. Em uma frase: é ser dono de um imóvel por temporadas, com escritura e matrícula próprias da sua fatia de tempo.

A Lei nº 13.777/2018 definiu que a fração de tempo é indivisível e não pode ser inferior a sete dias, seguidos ou intercalados. Cada coproprietário arca proporcionalmente com as despesas de manutenção, condomínio e tributos do imóvel, na medida da sua fração.

Como funciona a multipropriedade imobiliária?

Na prática, o ano de uso do imóvel é dividido em períodos, e cada período corresponde a uma fração de tempo vendida a um comprador diferente. Quem adquire quatro semanas, por exemplo, tem direito de ocupar o imóvel por essas quatro semanas, na data combinada, todos os anos.

  • Aquisição — você compra uma ou mais frações de tempo, cada uma com matrícula individual no cartório.
  • Uso — nas semanas que lhe cabem, você usa o imóvel com exclusividade, como se fosse seu (porque é).
  • Rateio — as despesas de condomínio, IPTU, manutenção e administração são divididas entre os coproprietários conforme a fração de cada um.
  • Disposição — por ser proprietário registrado, você pode vender, alugar, doar ou transmitir sua fração por herança.

É comum que esses empreendimentos contem com uma administradora profissional, responsável por agendar os períodos, organizar a limpeza e a manutenção e cobrar os rateios. A fração de tempo também se apoia na fração ideal do imóvel, conceito clássico do condomínio que define a participação de cada um no todo.

Cada fração tem matrícula própria

É isso que diferencia a multipropriedade de um simples contrato de uso. Com matrícula individual registrada no cartório, a sua fatia de tempo é um bem imóvel de verdade: aparece em seu nome, pode ser financiada, dada em garantia, penhorada por dívidas suas e transmitida aos seus herdeiros. Consultar a matrícula do imóvel é o primeiro passo para confirmar que a fração existe juridicamente e está livre de ônus.

Qual a diferença entre multipropriedade e timeshare?

Os dois modelos partilham a mesma ideia de uso por períodos, mas são juridicamente muito diferentes. No timeshare, você compra um direito de uso por temporada — um contrato, geralmente vinculado a uma rede hoteleira, que não transfere a propriedade do imóvel. Na multipropriedade, você compra a propriedade de uma fração de tempo, com matrícula e escritura próprias.

AspectoMultipropriedadeTimeshare
NaturezaPropriedade (direito real)Direito de uso (contratual)
RegistroMatrícula própria no cartórioApenas contrato
LeiLei nº 13.777/2018 / Código CivilSem lei específica
Herança e vendaTransmissível como bem imóvelLimitado ao contrato

Multipropriedade vale a pena?

Depende do seu objetivo. Para quem quer um pé em um destino de lazer sem pagar por um imóvel inteiro que ficaria vazio a maior parte do ano, a multipropriedade pode fazer sentido: o custo de entrada é uma fração do valor total e as despesas são rateadas. O ponto de atenção está nas taxas de manutenção, que são cobradas todos os anos independentemente de você usar ou não, e na liquidez — revender uma fração de tempo costuma ser mais difícil do que vender um imóvel comum.

Na multipropriedade você não compra um imóvel inteiro nem apenas o direito de hospedar-se: compra uma fatia registrada do tempo de uso de um bem. Entender que isso é propriedade — com matrícula, custos anuais e responsabilidades — é o que separa uma boa decisão de uma compra por impulso.
Antes de investir numa fração de tempo, vale comparar com imóveis que você poderia ter por inteiro perto de casa. Ative o Alerta de Oportunidades do COI e receba no WhatsApp os melhores imóveis de BH, já filtrados pelo nosso ITBI) — o que foi de fato pago, não o preço pedido.">vendas registradas (ITBI) para medir o quanto o imóvel está abaixo do mercado.">Score LLB™.

Como em qualquer compra imobiliária, a regra de ouro é a mesma: leia a documentação. Confira a matrícula da fração, a convenção de condomínio, o regulamento de uso e o histórico de taxas antes de assinar. A multipropriedade é uma propriedade real — e merece a mesma diligência que você teria ao comprar qualquer outro imóvel.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consultoria jurídica ou imobiliária profissional. Para casos específicos, consulte um advogado de sua confiança.

Perguntas frequentes

É o regime de propriedade compartilhada em que um imóvel pertence a vários donos ao mesmo tempo, cada um titular de uma fração de tempo que garante o uso exclusivo por períodos fixos a cada ano. Foi regulado pela Lei nº 13.777/2018 e cada fração tem matrícula própria no cartório.

No timeshare você compra apenas um direito de uso por temporada, em geral por contrato vinculado a uma rede hoteleira, sem ser dono do imóvel. Na multipropriedade você compra a propriedade de uma fração de tempo, com matrícula e escritura próprias, podendo vender, alugar e transmitir por herança.

Pode valer para quem quer um imóvel de lazer sem pagar por um inteiro que ficaria vazio quase o ano todo, já que o custo de entrada e as despesas são rateados. Os pontos de atenção são as taxas anuais de manutenção, cobradas mesmo sem uso, e a menor liquidez na hora de revender a fração.

Atualizado em 27 de junho de 2026.
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